MARA GABRILLI RESPONDE ANA K E APRESENTA CAMPANHA DE FINANCIAMENTO COLETIVO.

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#PraCegoVer: Mara sorrindo de camiseta azul com a estampa rosa de uma cadeirante. Ao fundo o símbolo do balão Roda Gigante, logo da campanha.

Hoje trago a você um conteúdo que estava ansiosa para apresentar aqui. Quando comecei a desenha a 1ª Semana da Deficiência Online, a primeira entrevista que veio a minha cabeça foi com a Deputada Mara Gabrilli.

A Mara dispensa apresentações, só preciso dizer que muitos dos direitos que conquistamos, foi graças ao trabalho que ela tem feito há muitos anos.

Entrei em contato para entrevista e ela foi muito pronta em falar com o Blog, porém sua agenda nos meses de Novembro e Dezembro foi extremamente corrida.

Mas, ela nos respondeu por e-mail. É uma alegria dividir essa entrevista com vocês.


1. Mara você se tornou uma referência na luta por mais acessibilidade e inclusão, muito já foi conquistado. Como você acha que o envolvimento dos jovens pode ajudar a romper ainda mais barreiras? 

Sem dúvida. Durante muitos anos as pessoas com deficiência ficaram esquecidas pelo poder público. Eram milhões de brasileiros invisíveis.

De uns anos para cá essa situação começou a mudar. Muito do preconceito que ainda existe é devido ao desconhecimento, à falta de convivência com pessoas com deficiência.

Os jovens de hoje já estão crescendo em uma sociedade mais inclusiva e isso faz toda a diferença. Tenho certeza que a criança que cresce convivendo com a diferença se tornará um adulto muito mais inclusivo.

Aposto muito nos jovens. Nos jovens e nas pessoas com deficiência, das quais sem fui fã. São pessoas que a cada minuto da vida encontram obstáculos e então viram pessoas muito guerreiras.

Nesse momento do Brasil a gente precisa de pessoas assim, para ajudar a tirar esse país do buraco.

2. Você é uma das poucas parlamentares com deficiência e que atuam pela causa, como você acha que podemos ampliar a representatividade dos deficientes no congresso?

Acho que minha presença na Câmara, junto com a Rosinha que também é cadeirante, já contribuiu bastante para a causa.

Conseguimos, por exemplo, criar a Comissão Permanente de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, por onde todo projeto de lei que tratar do tema deve passar para ser debatido.

O tema acessibilidade passou a fazer parte da pauta, a ser discutido diariamente. E isso vai ficar, independente se houver deputados com deficiência ou não. Agora não tenho dúvida que a presença de um deputado cego, surdo ou síndrome de Down, por exemplo, faria toda a diferença numa mudança de comportamento dos próprios parlamentares.

3. Se você pudesse dar apenas um conselho para as pessoas com deficiência do Brasil, qual seria?

Costumo dizer que não são as pessoas que tem deficiência, mas sim o meio em que vivemos. As cidades é que não estão adaptadas às pessoas, em suas diferentes características.

Ainda assim, não esperem uma realidade mudar para que a sua vida se transforme.

Busque a mudança interna para se sentir pleno para cobrar por seus direitos.

Ping Pong:

  • Um Sonho: surfar
  • Deficiência é: falta de estrutura das cidades para receber todo tipo de pessoa.
  • Medo: ficar sozinha, sem cuidadora.
  • Respeito: Respeito me faz diferente!

Para mim é uma honra entrevistar uma pessoa como a Mara aqui para o Blog. Desejo que nosso congresso receba mais pessoas como ela.

Seu trabalho é de extrema importância para as pessoas com deficiência do Brasil, acredito que do nosso lado devemos dar apoio para que suas iniciativas se fortaleçam cada vez mais.

Nessa onda, quero convidá-los para conhecer a campanha que o Instituto Mara Gabrilli lançou no ano passado em parceria com a revista Vida Simples. Leia abaixo.


Campanha Roda Gigante

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#PraCegoVer: arte em com fundo em tons de azul. Sobre este fundo estão algumas nuvens de tamanhos diferentes e também um balão magenta ao centro, que recebe o nome da campanha e carregada, em um fio, uma cadeira de rodas. Logo abaixo a frase “um movimento para ampliar horizontes”. Nos dois cantos inferiores o logo do Instituto e da revista.

A fila de espera por uma cadeira de rodas no Brasil é um dos maiores problemas enfrentados hoje pelo brasileiro com deficiência. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), só no Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas precisam de uma cadeira de rodas para se locomover, mas apenas 10% consegue ter acesso ao equipamento fornecido pelo Sistema Único de Saúde.

A média de espera dessa população é de cerca de 2 anos, mas em alguns estados pode chegar a cinco. A pobreza e seus fatores são um dos causadores de grande parte das deficiências no mundo. Prova disso está nos países em desenvolvimento, onde 80% das pessoas com deficiência vivem em situação de vulnerabilidade social. É o caso do Brasil.

“É aflitivo assistir a um cenário onde a população que mais carece de atendimentos básicos é também a que mais se depara com a miséria de boas ações e muitas vezes o descaso das autoridades. Queremos com essa campanha despertar a sociedade para essa realidade, tirando o brasileiro com deficiência da invisibilidade”, diz Mara Gabrilli, diz.

Para mudar estes números desanimadores, hoje, Dia Mundial da Doação, o Instituto Mara Gabrilli (IMG),  em parceria com Revista Vida Simples, título da Editora Caras, lançam a Campanha Roda Gigante.

O objetivo é angariar recursos para a aquisição de cadeiras de rodas, adaptações e outros tipos de órteses que uma pessoa com deficiência precisa para se locomover e viver com dignidade.

As doações podem ser realizadas através do site de financiamento coletivo Kickante, no endereço www.kickante.com.br/rodagigante. A partir de R$ 10 já é possível contribuir com a campanha, cuja meta inicial é arrecadar R$ 300 mil, o suficiente para a compra de aproximadamente 100 cadeiras de rodas.

Muita gente não sabe, mas a necessidade de uma pessoa com deficiência vai muito além da cadeira de rodas em si. O equipamento que uma pessoa com paralisia cerebral precisa não servirá para alguém que tenha tetraplegia, por exemplo. A estatura, peso e idade também fazem diferença para o tipo de cadeira. Uma criança precisa de banco e encosto para o tamanho de seu corpo até uma certa idade. Com o passar do tempo, ela crescerá e a cadeira já não servirá mais.

Ou seja, quanto mais personalizado for este equipamento, maior mobilidade e conforto a pessoa terá. A cadeira adaptada permite uma postura adequada, menos gasto de energia para se locomover, maior autonomia e o mais importante: evita que a pessoa tenha escaras, que são feridas que se desenvolvem na pele de quem passa muito tempo em uma mesma posição. Neste caso, em um assento que não é adequado.

Devido ao tipo de deficiência e suas necessidades específicas, muitas pessoas não conseguem utilizar a cadeira oferecida pelo Sistema Único de Saúde. Por isso, quando se fala em alto custo de uma cadeira de rodas, deve-se ter em mente não só o valor do equipamento, mas todas as adaptações e materiais que serão utilizados, como a espuma do assento, que precisa ter a densidade correta para possibilitar maior durabilidade e conforto, além das adaptações em si – todas feitas por um profissional de forma manual, após medição do equipamento e consulta postural.

No mercado atual brasileiro, o custo médio de uma cadeira de rodas com todas as adaptações necessárias é de R$ 4500,00. O SUS, contudo, realiza o repasse máximo de apenas R$ 1350,00. Com tal defasagem, instituições responsáveis pela distribuição dos equipamentos não conseguem atender a real demanda, que a cada ano aumenta, devido às condições de desigualdade, violência e acidentes de trânsito.

Sobre o Instituto Mara Gabrilli (IMG)
Fundado em 1997 pela psicóloga e publicitária Mara Gabrilli tetraplégica, alguns anos após o acidente de carro que a tetraplégica, o IMG é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e executa projetos para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência.

A organização surgiu inicialmente para apoiar atletas com deficiência, mas expandiu seu escopo para outras áreas de extrema carência no Brasil. Ao longo dos anos, o Instituto vem atuando nas áreas de social, saúde, pesquisa científica e acessibilidade cultural.

Entre seus projetos, destaca-se o Cadê Você?, cujo objetivo é localizar e atender pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social nas periferias de São Paulo e outros estados. Desde 2010, quando realizou a sua primeira edição, o projeto já atendeu mais de 3 mil pessoas com deficiência. Acesse www.img.org.br e conheça todos os projetos.

Sobre a Revista Vida Simples
Vida Simples é uma revista mensal sobre estilo de vida, o dia a dia do viver em comunidade e o desenvolvimento de relações mais éticas. A publicação, que existe há 14 anos, é inovadora no design, que privilegia os ícones e não peca pelo excesso, e pelos textos, mais longos e profundos. Seu conteúdo editorial pode abordar temas como as incertezas da vida, os momentos de mudança ou como ter boas conversas.


Agora só me resta pedir: DOEM

www.kickante.com.br/rodagigante

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