O QUE VIVI NAS PARALIMPÍADAS.

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Oi, oi, oi…. Ah as Paralimpíadas por onde começar?

Posso falar sobre a emoção, sobre como sai de lá inspirada e motivada, de como ainda não acredito no que aqueles atletas fazem ou em como foi importante para minha irmã e meu primo, de 5 e 9 anos respectivamente, viver essa experiência.

Mas quero falar do que eu senti e acredito que todos os outros deficientes sentiram: pertencimento.

Pela primeira vez na história do nosso país um evento foi pensado do início ao fim para quem tem deficiência.

As rampas não estavam lá por que a lei obrigava, nossas próteses, órteses e cadeiras de rodas não eram o centro das atenções, os olhares curiosos sumiram. Nossas diferenças eram tão naturais quanto as  diferenças que todos tem na cor do cabelo.

Nas arenas, nos transportes, nas arquibancadas, nas piscinas, nas ruas, nós estávamos em casa.

A festa era nossa, os outros eram convidados para apreciar e aplaudir a nossa existência.

E a pergunta que não quer calar é: E agora o que fica? Qual o legado?

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Amy Purdy em performance na Cerimônia de Abertura

Sabe, existe uma nuvem negra que uma hora outra ronda a cabeça de todos os DEFIS ( como meu amigo Pedro do canal Mais uma Rodada nos chama). Nessa nuvem está escrito algumas frases pesadas: “Eles não te aceitam”. “Você não é normal”.

Pode parecer absurdo falar isso nos dias atuais, mas pensamos isso sim. Inclusive eu, que fico aqui batendo na tecla da auto aceitação e lutando pelos nosso direitos.

A verdade é diariamente travamos uma batalha contra olhares curiosos, piedosos e as vezes até maldosos.

Mas, para nossa alegria, acredito que a realização da Paralimpíada no Brasil foi o primeiro passo de uma onda de transformação positiva em relação a isso.

Quero acreditar que as crianças que foram as arenas nesses jogos paralímpicos, quando adultos saberão conviver com deficientes como iguais. E enxergarão próteses e cadeiras de rodas de maneira tão natural como vêem pessoas usando óculos.

É claro que chorei de emoção com as conquistas de Daniel Dias, com a medalha inédita na Bocha. É claro que também acho que aqueles atletas são super humanos.

Contudo, voltei do Rio de Janeiro com a certeza de que vale a pena continuar escrevendo neste blog sobre deficiência, gravando vídeos sobre a minha vida com a prótese, e ampliar esse trabalho cada vez mais.

Só assim, poderei fazer a diferença, afinal não é minha amputação que me faz um ser humano raro e diferenciado. É o meu coração.

E vou trabalhar muito para levar informação, conscientização, empoderamento, motivação e um pouco de humor é claro para todos os lugares que eu conseguir. Assim, tenho certeza de que farei a diferenças na vida de outros deficientes, mostrando pro mundo que a diferença muitas vezes está nos olhos de quem vê.

Daniel Dias o maior atleta paralímpico Brasileiro disse uma frase que tem tudo a ver com nosso lema aqui no blog.

“Quando a gente não coloca limite, conseguimos chegar muito longe e realizar nossos sonhos”

Esse é o ponto, não há limites para nossos sonhos e esses sonhos vão mudar o mundo.


Ok. Eu sei que você quer saber como foram os jogos, então assista os 3 Vlog que gravei lá, afinal como eu disse no começo, é muita coisa para traduzir em palavras.

Dá Play.

 

 


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